Purga
O ínicio de 2010 foi uma perfeita antítese do fim de 2009. Enquanto o dia 31 caminhava para o final, minha vontade de me dedicar ao trabalho, evoluir, estudar as máquinas, as técnicas, os truques, era renovada por mais um ano. Pensei eu. Pois que quando o dia 1 conheceu os primeiros raios de sol de 2010, o clarão ofuscante das coisas como elas são, bateu-me de frente, como uma onda na praia, que nos apanha desprevenidos...
Como é possível evoluir numa empresa que menospreza a formação? Como é possível dedicação numa empresa cujo responsável tem medo que os seus empregados façam melhor figura que ele? Como manter o entusiasmo numa empresa em que o responsável nos diz, directamente, "Vocês não estão aqui para fazer como acham melhor, estão aqui para fazer como eu mando. Não é para pensarem."
Pois bem, para mim não é possível. E então passei os meses seguintes num vai-não vai. Ora que havia um dia que se passava a mandar curriculos, ora outro em que se tentava contrariar a razão, e se tentava achar que as coisas não eram assim tão más. E realmente, de fora, até não pareciam más...ordenado razoável (para a realidade portuguesa), carro, telemóvel...e pronto. E respeito? E evolução?
E olhar para o futuro e imaginar uma vida inteira assim? Não, não dá.
E depois de uma discussão em que, desta vez directamente, se ouve "Vocês não têm que pensar.", a decisão. Aqui não fico mais.
E não fiquei. Começo amanhã uma página nova, noutra empresa que me dê mais...mais respeito, mais evolução, mais. E à qual eu tenho intenção de retribuir.
E espero nunca mais encontrar um patrão que quer estar àfrente dos outros, não porque corre mais, mas porque obriga os outros a correrem menos.
Siga a dança, que tempos de muito trabalho e muito estudo me esperam...finalmente.